Zantarea Farms is a woman-led farm in Barbados that produces fresh and value-added crops using regenerative, climate-smart practices and promotes community engagement in sustainable agriculture.
A agroecologia é simultaneamente uma ciência, um conjunto de práticas e um movimento social. O conceito evoluiu nas últimas décadas, deixando de se centrar nos campos e nas explorações agrícolas para alargar o seu âmbito de modo a abranger a totalidade da agricultura e dos sistemas alimentares. Representa agora um campo transdisciplinar que engloba as dimensões ecológica, sociocultural, tecnológica, económica e política dos sistemas alimentares, desde a produção até ao consumo (FAO).
A FAO identificou dez elementos interligados e interdependentes da agroecologia, que incluem a diversificação, a cocriação e a partilha de conhecimentos, a criação de sinergias que apoiam múltiplos serviços ecossistémicos, a eficiência, a reciclagem, a resiliência das comunidades e dos ecossistemas, a proteção dos valores humanos e sociais, o apoio à cultura e às tradições alimentares, a governação responsável e a economia circular e solidária (FAO, Os 10 elementos da agroecologia). Com base nestes elementos e noutros trabalhos importantes, o relatório do Painel de Peritos de Alto Nível do Comité de Segurança Alimentar e Nutricional (2019) propõe um conjunto consolidado de 13 princípios agroecológicos organizados em torno das grandes categorias de melhoria da eficiência dos recursos, reforço da resiliência e garantia da equidade/responsabilidade social (Relatório HLPE).
A investigação destaca as ligações entre a agroecologia e as alterações climáticas, fornecendo provas sobre o potencial técnico (ou seja, ecológico e socioeconómico) e político da agroecologia para construir sistemas alimentares resilientes (FAO e Biovision 2020).
Foi demonstrado que muitas das inovações adotadas pelos agricultores e empresários contribuem para o desenvolvimento de sistemas agroalimentares sustentáveis numa perspetiva agro-ecológica:
- Agrofloresta: Trata-se de um sistema de utilização da terra que integra árvores, arbustos e culturas na mesma terra para criar um ecossistema diversificado e resistente. A agrossilvicultura oferece múltiplos benefícios, como a conservação do solo, o sequestro de carbono e a melhoria da qualidade da água.
- Agricultura de conservação: Esta abordagem envolve a minimização da perturbação do solo, a manutenção do coberto vegetal e a rotação de culturas para melhorar a saúde do solo, a retenção de água e o ciclo de nutrientes. A agricultura de conservação também reduz a utilização de fertilizantes sintéticos e pesticidas, promovendo a sustentabilidade ambiental.
- Gestão integrada das pragas: Trata-se de uma abordagem holística do controlo das pragas que combina diferentes métodos, como o controlo biológico, as práticas culturais e o controlo químico, para minimizar a utilização de pesticidas e proteger o ambiente.
- A zonagem agro-ecológica é um instrumento de planeamento que identifica as práticas de utilização e gestão das terras mais adequadas para uma determinada área, com base nas suas caraterísticas ecológicas, condições socioeconómicas e valores culturais. A zonagem agro-ecológica pode ajudar a reduzir os conflitos de utilização das terras e promover o desenvolvimento sustentável.
- Investigação e extensão participativas: Esta abordagem implica trabalhar em estreita colaboração com os agricultores, as comunidades locais e outras partes interessadas para criar conhecimentos e desenvolver soluções adaptadas às necessidades e condições locais. A investigação e a extensão participativas podem promover a equidade social, a capacitação local e a sustentabilidade dos sistemas agro-alimentares.
